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“Aqui na escola não se debate política”: Professores denunciam casos de agressão e assédio

“Aqui na escola não se debate política”. Muitas professoras e professores ouviram essa afirmação – como instrução ou ordem – nos últimos tempos, especialmente no período que antecedeu as eleições. Sob alegação de suposta neutralidade política, as direções orientaram professoras e professores a evitarem o debate político e a não externalizarem suas posições. Passado o processo eleitoral, pipocam relatos de agressão e violência contra professores por parte de alguns estudantes, muitas vezes respaldados pela posição de suas famílias.

Afronta à democracia, racismo, xenofobia, dão a tônica de discursos de ódio que ora se instala também nos ambientes escolares. No Sinpro Guarulhos recebemos diversos relatos de situações de desrespeito e constrangimentos dirigidos aos docentes no período pré e pós eleitoral.

É certo que não podemos generalizar, mas também não podemos negligenciar. Sabemos que as escolas, em muitos aspectos, reproduzem os valores predominantes na sociedade, mas sabemos também que ela deve ser espaço de informação, formação e diálogo. As direções, as famílias, a sociedade não podem se omitir como se nada estivesse acontecendo.

A negligência e a omissão, neste caso, reforçam a intolerância que a escola deve ajudar a combater. As situações recentes demonstram a opção equivocada de não se debater política para evitar conflitos, que se debatidos fossem, poderiam ser mediados e servir de aprendizado para crianças e jovens. Pior que a opção equivocada é o silêncio e a indiferença diante dos ataques que professores estão sofrendo, mascarando ou ocultando situações que precisam ser superadas.

A democracia, que tantos defendemos, ainda que distante do ideal, não pode conviver com práticas de ofensa, agressão e ódio. Tampouco, as escolas podem agir como se esses acontecimentos fossem irrelevantes ou ignorá-los, deliberadamente, como se não fossem uma realidade que precisa, sim, ser discutida.

Em alguns casos, a mesma escola que defendeu “que aqui não se debate política” é a que está fazendo vistas grossas diante da intolerância e da responsabilidade que deve assumir.

Iremos tomar medidas preventivas, inclusive por meio do Ministério Público do Trabalho, exigindo que as instituições apresentem as ações efetivas de combate a essa violência moral e assegurem a proteção dos direitos civis e humanos dos professores. Importante lembrar que as eleições já foram marcadas pelo aumento de casos de assédio eleitoral nos locais de trabalho e foi duramente combatida pela justiça. Nesse momento, pós eleições, não aceitaremos a naturalização da violência ou do assédio por posição política. Denunciaremos as instituições que forem coniventes com tal prática, porque entendemos que estudantes são pessoas em formação e desenvolvimento e devem, portanto, em caso de posturas violentas como essas, aprender que o respeito ao outro, inclusive ao seu educador(a), é parte da formação de seu caráter como indivíduo que pertence a uma coletividade .

Se você, professora ou professor, sofreu algum tipo de violência, constrangimento ou assédio por conta de posições políticas, denuncie no Sinpro Guarulhos.

SINDICATO É PRA LUTAR!

Novembro 2022

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