Uma semana de retomada das aulas presenciais nas escolas particulares: casos confirmados de contaminação e perguntas sem respostas

 

     A maioria das escolas particulares retomou aulas presenciais nesta semana e o resultado até aqui é a confirmação daquilo que estamos advertindo: não é hora de retomada presencial. O momento continua sendo de aumento no número de casos e ampla disseminação do vírus. 

O governo do estado, assim como o prefeito de Guarulhos, parecem estar cegos às evidências de que é irresponsável do ponto de vista da segurança sanitária a retomada das aulas presenciais. Além da flagrante irresponsabilidade, há também a negligência diante das advertências feitas em relação a disseminação do vírus e a fragilidade de protocolos. 

 

     Não há consistência nos documentos da SEDUC-SP e da Secretaria de Educação de Guarulhos, quanto às exigências de protocolo e procedimentos nas escolas privadas, que reabriram as portas para os alunos com uma espécie de autorregulamentação que permite que cada instituição adote regras bastante variáveis em relação aos protocolos sanitários. 

     

       Tanto é assim que apesar do Sinpro Guarulhos, em diferentes momentos e ao longo de todo ano de 2020, ter encaminhado questionamentos ao Ministério Público e à Secretaria de Educação, as respostas estão sendo oferecidas agora, no retorno ao trabalho presencial de professoras e professores, de trabalhadores da educação e de estudantes, e elas são desoladoras, vejamos: 
- em uma semana recebemos relatos de casos confirmados de COVID-19 em três escolas privadas do município: Pater Dominus, Nahim Ahmad e Parthenon (Bom Clima). 
- 2 professoras e um aluno no Pater Dominus
 - 1 aluno no Nahim Ahmad
- 1 professor no Parthenon (Bom Clima) 

 

    - O Pater Dominus afirmou ter isolados os estudantes das salas das professoras que testaram positivo no turno da manhã e manteve atividades regulares no turno da tarde; após divulgação feita pelo sindicato a escola nos informou que suspenderia as aulas por duas semanas; 

 

     - O Família Ahmad indicou que os estudantes retomassem atividades remotas e recomendou que professores que tiveram contato com esta turma ficassem também em trabalho remoto por 4 dias, conforme orientação da diretoria de ensino; 

 

     - No Parthenon (Bom Clima) houve um comunicado de advertência para que os professores atentassem para algum sintoma e, caso houvesse, procurassem o serviço médico. E manteve atividades presenciais, inclusive das turmas com as quais o professor teve contato. 

 

     De acordo com a Portaria  Conjunta MS/SEPRT Nº 20 DE 18/06/2020, a escola/empresa deve afastar imediatamente o trabalhador acometido pela Covid-19, assim como todos aqueles que tiveram contato com ele, sem prejuízo da remuneração, como se lê no item 2.5 da referida Portaria: 
2.5 A organização deve afastar imediatamente os trabalhadores das atividades laborais presenciais, por quatorze dias, nas seguintes situações:
a) casos confirmados da COVID-19;
b) casos suspeitos da COVID-19; ou
c) contatantes de casos confirmados da COVID-19.

 

     Além disso, 

 

- pouco se fala sobre como viabilizar a efetiva limpeza e desinfecção das escolas particulares que, em muitos casos, mantiveram o mesmo número de

trabalhadores da limpeza, quando não reduziram. Quantas escolas aumentaram seu pessoal de limpeza para garantir a intensificação dos cuidados?
- como está sendo controlado e fiscalizado o transporte escolar? 
- como estão sendo feitas a medição de temperatura?
- quem está fiscalizando o percentual autorizado de 35% dos estudantes por dia?
- quantas escolas bancaram teste de Covid-19 para os professores e demais trabalhadores antes da retomada das aulas presenciais? 
- quantas escolas estão garantindo o fornecimento de máscaras adequadas para os trabalhadores e trabalhadoras? 
- quantas escolas fizeram marcação adequada nas salas de aula e nos ambientes comuns para garantir o distanciamento social? 
- quantas escolas estão fornecendo o equipamento necessário para o trabalho dos docentes, tais como: computadores, fones e microfones? 
- quem se responsabiliza pela saúde e pela vida de potenciais contaminados em ambiente escolar? 

 

     O Sinpro Guarulhos segue defendendo que não é hora de retomar atividades presenciais, nã há segurança para professores e professoras que, sob a ameaça do desemprego, coação e diferentes formas de assédio moral, estão sendo submetidos a condições sanitárias de alto risco. Assim como não há segurança para a comunidade escolar. 

 

     São muitos os relatos de professores sobre as dificuldades com o ensino híbrido, das dificuldades em atender parte dos alunos de forma virtual, parte presencial. Da vigilância e de abusos com a gravação de aulas para retransmissão e, sobretudo, da dificuldades de cobrar dos estudantes o cumprimento de protocolos. 

 

      Àqueles e àquelas que desqualificam o trabalho de professores, insinuando que queremos algum tipo de privilégio, que comparam a reabertura das escolas à reabertura de restaurantes – exemplo tão corrente quanto equivocado - , àqueles que acham que é hipocrisia manter aulas remotas, quando tudo está reabrindo, respondemos: nossa posição continua sendo em defesa da vida de professores e professoras, de estudantes e de toda comunidade escolar. 

 

      Uma semana já demonstra a ineficácia de protocolos e o potencial de contágios que a retomada das aulas presenciais oferece. Por tudo isso: pelo risco, pela insegurança, pelas muitas perguntas sem respostas, defendemos a suspensão imediata das aulas presenciais. 

 

✊🏽 Sindicato é pra lutar!

Sinpro Guarulhos 
Fevereiro de 2021